Frei João Felipe Hoever nasceu no dia 10 de novembro de 1816, vésperas da festa de São Martinho, num pequeno vilarejo próximo da cidade de Colônia- Alemanha. O local onde ele nasceu, um prédio simples de madeira típico das regiões montanhosas, existe até hoje em meio a um pequeno povoado de casas, localiza-se em um lugar muito bem escolhido, perto do topo de uma larga montanha, que, como Hoever conta, " erguer-se tão alto de trás da fazenda que não deixa passar o vento norte".  Quando era apenas um menino, já conhecia toda região montanhosa do seu vilarejo, junto com o seu tio, irmão de sua mãe e que por causa de sua profissão de escrivão, levava em suas frequentes viagens pela redondeza o pequeno João Felipe Hoever. Foi nesta casa, a mais antiga do povoado, que os familiares do nosso fundador moraram desde a metade do século XVIII. João Felipe Hoever era filho do senhor Jacob Hoever e da senhora Elizabete Schamborn, que tiveram mais quatro filhos além dele.

Seu pai era um simples camponês que trabalhava incansavelmente desde manhã até a noite e sempre encontrava um tempo livre juntamente com sua esposa e educava todos os filhos no caminho das coisas de Deus com devoção e piedade. O fundador recordava em seus escritos com gratidão a educação que seus pais proporcionaram a ele e também lembrava com carinho de sua cidade natal. Desde pequeno, para o fundador, o mais importante era em toda parte era a busca constante da imitação de Cristo. Como ele mesmo escreve: a religiosidade tornou-se um habito e uma ajuda real para a vida, especialmente na observação do ano litúrgico que meus pais, e nós os filhos, promovíamos através de devoções diárias em casa. A oração era um refúgio constante no perigo e na necessidade, na doença e na morte, no destino e nos coisas ruins. Ainda quando não sabíamos ler, já havíamos aprendido com nossa mãe as canções da Igreja para as festividades mais importantes, entre elas as canções do advento, a Ave Maria, que sempre me chamaram a atenção de forma especial.  Com cinco anos de idade, João Felipe Hoever começou a frequentar a escola, descia uma extensa ladeira ao lado de seu irmão mais velho, e as vezes o seu irmão o carregava nos ombros quando ele não conseguia mais caminhar. A escola que ele estudou existe até os dias atuais. Para um menino inteligente quanto João Felipe Hoever a escola tinha uma grande importância, como descreve em sua autobiografia, suas primeiras lições foram ensinadas pela sua mãe.

Anos depois de se formar no ensino regular, em 1835, Frei João Hoever ingressou na faculdade que corresponde hoje o curso de pedagogia, e em 1837 começou a lecionar numa escola perto de sua comunidade. João Hoever cultivava desde sempre os valores da fé e da família, assim, seu primeiro chamado vocacional foi o matrimônio. Casou-se com Ana Catarina Zimmermann e tiveram dois filhos. As condições de vida de João Felipe Hoever tiveram consequências importantes em sua vida familiar. Com o falecimento de sua esposa em 1846, ele ficou sozinho para cuidar dos seus dois filhos. Por um tempo então pediu ajuda a sua sobrinha da parte de sua esposa, Luísa Hansen para auxiliar nos cuidados de seus filhos. Vivendo na cidade imperial de Aachen, João Hoever continuava a lecionar na escola pública de São Pedro, vendo a realidade dos alunos pobres sob sua responsabilidade, ele pensava que não poderiam ser prejudicados e por isso se dividia nos cuidados de casa e da escola.

A escola pública de São Pedro não tinha nenhuma condição de funcionamento, os alunos eram filhos de operários, trabalhadores pobres da cidade. Embora o governo da Prússia havia introduzido o ensino obrigatório na cidade de Aachen, era uma lei que estava somente no papel. Por volta de 1840, Aachen se transformou numa cidade de operários, por falta de prédios escolares, mais de 4 mil crianças em idade escolar ficavam sem aulas ou se amontavam no salão da Igreja de São Pedro que também abrigava inúmeros cortiços nos corredores externos da igreja, onde homens e mulheres ficavam doentes por causa das doenças infectuosas, ruas apertadas, becos cheios de crianças abandonadas com fome e também doentes. O Professor João Hoever, que neste período pertencia associação de São Vicente de Paulo e era membro professo da Ordem Franciscana Secular (OFS) levava todas as crianças e os jovens para escola e providenciava pão e frutas com o pouco dinheiro que ganhava como professor. Mas ele não dava somente o pão, acompanhava cada criança dentro e fora da sala de aula, visitava regularmente as casas de seus alunos para conhecer a realidade de suas famílias. O sistema de ensino de Frei João Hoever era conquistar a confiança dos pais e por intermédio deles, os filhos poderiam progredir e ter mais interesse nos estudos.

   No decorrer da história durante os anos de 1850 a 1853, a sobrinha de Frei João Felipe Hoever que estava cuidando de seus filhos, mais tarde ingressou na Congregação das Irmãs dos Pobres de São Francisco fundada pela Madre Francisca Schervier, e é neste período que ela encontra com o professor João Hoever e fala de seus planos de também fundar uma congregação do ramo masculino para cuidar de meninos órfãos, ajudar nas prisões e cuidar dos moribundos. No advento de 1857, Madre Francisca conta para João Hoever que sonhou com um bebê sozinho sem ninguém para cuidar, e então, após o sonho o desejo do fundador de servir mais e mais a Cristo nos pobres foi claramente confirmado e apenas um curto período de tempo separava João Hoever de seus desejos. Rapidamente ele teve uma conversa com três companheiros. Frei João Hoever deu a conhecer as partes principais do seu plano, os "propósitos, finalidades e meios", algumas por escrito. No natal de 1857, em uma simples celebração na manjedoura marcou a hora exata da fundação da comunidade. No seu diário, Madre Francisca registrou: "Com a chegada do Natal de 1857, os Irmãos se uniram uns aos outros ao redor da manjedoura". Permaneceram no antigo mosteiro dominicano até 12 de maio de 1858. Naquele momento mudaram para um lugar mais adequado, graças a bondade de Madre Francisca..

O Fundador Frei João Hoever

Irmãos dos Pobres 

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